Secretaria de Estado da Cultura, Turismo, Esporte e Lazer apresenta:

Festa Nacional da Música -

Artistas


José Milton

Nenhum cantor abre um disco com “Molambo”, o samba canção perfeito, assim impunemente. É preciso ter décadas de “noite” nas costas em cidades como Recife, Rio e, principalmente, São Paulo, onde se cantou por mais de dez anos na mítica boate Jogral, diante de boêmios fiéis liderados por gente como o compositor Paulo Vanzolini.

É preciso ter produzido mais de 200 discos de cantores, os melhores de Nana Caymmi (que não entre em estúdio sem ele), Fagner, Emílio Santiago, Nelson Gonçalves, Joyce (a obra-prima “Feminina”, basta?), Joana, Altemar Dutra, entre tantos outros.

É preciso ter inventado encontros em estúdios e palcos como o dos sanfoneiros Dominguinhos, Sivuca e Oswaldinho – até hoje um dos discos instrumentais mais populares do Brasil – ou dos compositores Paulinho da Viola e Toquinho (o álbum duplo “Sinal aberto”).

É preciso ter lançado como cantor solo Mussum, e ter produzido os melhores discos de Hebe Camargo e do melhor dos nossos padres-cantores, Fabio Melo. É preciso ter produzido várias vezes a Família Caymmi como em “Para Caymmi, de Nana, Dori e Danilo”, e ter juntado esta família à de Jobim (“Falando de amor”). É preciso ter produzido Ângela Maria e Cauby Peixoto e ter inventado as duas mais celebradas vozes brasileiras como uma dupla, Ângela & Cauby, que tanto sucesso fez em shows e discos.

Foi preciso ter gravado um único LP solo como cantor em 1976, relíquia hoje de colecionadores, no qual se lançou a obra-prima de um compositor genial, Guinga, “Bolero de satã”, parceria com Paulo César Pinheiro que seria, anos depois, consagrada pela versão de Elis Regina e Cauby Peixoto.

José Milton fez tudo isso e muito mais para chegar aqui e, com toda autoridade, abrir este “Retrato cantado”, um CD que resume sua história e descreve sua impressionante trajetória musical, com “Molambo”, o samba-canção perfeito, arquetípico, composto pelo mais importante violonista-acompanhador brasileiro, Jayme Florence, o popular Meira, professor de Baden Powell e Raphael Rabello, e lançado quase que simultaneamente em 1956 por Roberto Luna e por Cauby Peixoto, e que tanto embalou a sua adolescência e lhe deu inspiração para tornar-se cantor.

E José Milton abre o disco corajosamente com “Molambo” acompanhado apenas pelo piano de Cristóvão Bastos, diretor musical do CD, com a segurança de tantos anos de noite e de estúdio, com seu timbre e suas divisões tão características de quem teve como ídolos Silvio Caldas e Nelson Gonçalves, Dick Farney e Lucio Alves, toda a história do canto masculino brasileiro, aquela força suave.

De resto, “Retrato cantado” faz jus ao título, resume a trajetória artística de José Milton, que estará na Festa Nacional da Mùsica 2018, que ocorre em outubro em Bento Gonçalves.

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